terça-feira, 19 de maio de 2009

OBRIGADUUUUUUUUUUUUÚ KAROL!

(ESTA REPORTAGEM É FRUTO DE UMA ENTREVISTA COMIGO VIA MSN, OS DIREITOS SÃO RESERVADOS A JORNALISTA KAROL CASTANHEIRA)

Arquitetando conhecimento
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca." Clarice Lispector
Karol Castanheira
Era sexta-feira à tarde, feriado do dia primeiro de Maio. Aparentemente não havia muita coisa a fazer, ou melhor havia, mas não havia inspiração. Sabe como é, sexta-feira, feriado, final de semana, um dia aparente para ficar em casa assistindo filme e comendo brigadeiro.
De repente, resolvi entrar no “msn”. Vi online o Adriano. Você deve estar se perguntando, mas quem é Adriano? Para os que não o conhecem é apenas um brasileiro. Porém, ele é bem mais que isso, é arquiteto, formado pela Machenzie. Resolveu estar gay, porque assumiu esta escolha.

Depois de muitas falas, e muitas delas estão aqui entre aspas, ou misturadas ao próprio texto, resolvi explorar o que no momento inicial, era apenas uma conversa, mas o caldo foi grosso e o prato final foi outro. Mostrar como pensa o gay de hoje em contrapartida com o que diria o gay de outrora e acrescer o tempero da sexualidade homossexual, colocado por um gay que passou por altos e baixos, foi o ponto de partida para essa miscelânea de vivências e conhecimento.
Muitas pessoas não assumem ou assumem a homossexualidade de diversas formas. Algumas ficam no armário, ou seja, reprimem sua orientação sexual, por toda uma vida, tentando se equilibrar entre uma vida real e uma neurose. Outras assumem para si mesmas e para a sociedade tentando buscar respeito e admiração. Adriano Lourenço preferiu seguir a segunda opção. Não que tenha sido a mais fácil, entretanto a mais compensatória.
Os tempos hoje são outros. Adriano tem 36 anos, na sua época a resistência em encarar a homossexualidade de forma natural, manifestada em comportamentos culturais, era quase tão difícil quanto o Lula ganhar a presidência. “Hoje o mundo não tem mais espaço para o preconceito se proliferar. As pessoas estão mais preparadas para ver que o mundo vai continuar girando mesmo que a opinião delas seja negativa ao comportamento da evolução da humanidade”.
Mesmo com este pensamento otimista a sociedade em partes é bem estigmatizada. Em alguns lugares os gays lutam para sobreviver, já que a ameaça é contra suas próprias vidas.
A faculdade em São Paulo foi um divisor de águas na vida de Adriano, aos poucos ele começou a arquitetar os seus próprios sentimentos. Sair de uma cidade pequena no interior do estado, de aproximadamente 50 mil habitantes, como Jales e se deparar com um universo paralelo que é São Paulo, foi um choque de culturas. Mas foi neste contexto que ele teve boas referências e assumiu a sua orientação sexual.

“Tive um relacionamento homo na faculdade que durou dois meses, conturbados, de muita tensão e descobertas. Depois tive um relacionamento hétero que durou menos ainda e quando rolou sexo eu já estava confuso. Com o passar do tempo acabei tendo outro relacionamento homo e ai foi bacana, mas era muito "pegajoso" para mim e ai não rolou por isso. E um dia na academia eu fui paquerado por um cara muito interessante na época que fez com que eu visse que a realidade era muito simples”

Adriano até os 21 anos só havia tido relacionamentos héteros, mas sempre sentiu tesão por homens desde os seus 11 ou 12 anos. Ele não se sentia estranho com outras mulheres, só sabia que faltava algo como textura, cheiro, pegada, sangue quente. Faltava liga, por isso que homossexualidade é mais que sexo.

Sexo é necessidade
Você já parou para pensar que mesmo se você fizer sexo de vez em quando com alguém do mesmo sexo que você não quer dizer que você é gay?

“Esta classificação de orientação sexual, hétero e homo, está mais ligada ao comportamento cultural do que ao sexual. Sexo não tem nada a ver com rótulos, mas sim, com tesão e necessidades. Existe curiosidades e todos nós temos elas em mesma quantidade o que não temos é força para encarar as vontades de realizá-las”.

Para Kinsey, entomologista e zoólogo norte-amerciano, a prática sexual não se resume a heterossexual, mas apresenta combinações que incluem, por exemplo, heteressoxuais que matem relações sexuais com pessoas do mesmo ou dos dois sexos, homossexuais que ao contrário tem práticas heterossexuais , os bissexuais e chega até aos assexuais.
Chocolate com pimenta
Tentar degustar o conceito gay para muitos é uma congestão. Para o LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) é um prato de mão cheia pela luta de direitos. Para o Senado e Câmara dos deputados é uma pimenta, que arde, mas que tem que ser engolida, uma vantagem da democracia. Sem mencionar, claro, aqueles guetos de grupos, como homofóbicos, igrejas fundamentalistas, agressores sexuais, que não são necessariamente uma pimenta na sociedade, mas que arde tanto quanto, no que diz respeito à marginalização da orientação sexual.
Uns coíbem uma legislação pertinente no universo gay, outros doutrinam afirmando que o gay não é filho de Deus, outros agridem e violam a dignidade humana. Um prato cheio de pimenta que não basta tomar água para amenizar a ardência.
O preconceito é inerente a tudo que tenha não entendimento. Quando não entendemos algo, temos um preconceito sobre o fato. A sociedade sempre vai ser preconceituosa, o problema é que perdem a possibilidade de aprender com as diferenças. Um exemplo, “os homossexuais pra mim estão à frente do seu tempo, por vários motivos estão sempre preparados para o novo, outras referências, outros valores, causando uma transformação de valores o tempo todo. O que não ocorre com os héteros, eles já têm uma formação do bem e do mau muito rígida, muito severa, muito estática”.

Validade Vencida

Muitos gays têm medo da solidão na velhice, seja pelo fato de não poder se casar legalmente, ou de não poder adotar um filho a dois. A idade vai chegando e as preocupações de estar fora do prazo surgem á tona com muita força.

Ao contrário dos medos, Adriano vem à contramão dos que muitos pensam. “Não tenho medo de ficar velho, adoro meus 36 anos e minha ótima aparência. Só tenho medo de ficar sem cuidados, coisas que não são inerentes ao ser homo ou hétero ou bi ou assexuado, todos nós temos medos coletivos”.

“Este medo coletivo na realidade é mais um grande e forte motivo por termos os mesmos direitos civis que os heteros o "casamento gay" é algo que nos assegura vencer este medo. A maioria dos heteros só se aturam até a velhice porque têm filhos e um contrato que os puni se não ficarem juntos. Isso é de uma forma boa, porque garante uma velhice menos ruim quando ela se instalar”.

7 comentários:

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  3. Foi uma das poucas matérias bem escritas que li nos últimos tempos...
    Quem dera as pessoas fossem sempre assim e fizessem seus escritos valerem mais que seu silêncio!!!!

    Parabéns aos dois,
    beijo grande
    Luciene Jacinto

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  4. Bah.. trilegal! Penso que fazer a vida valer a pena é ter a coragem de ser aquilo que se é! Para isso, é necessário mais do que bandeiras, passeatas, faixas com as cores do arco-íris. É necessário a maior coragem ( a essencial), que é, neste mundo de fakes, alteregos e mentirinhas legais, aquela que tem sido menos buscada: a coragem de deixar de parecer, para ser!

    Parafraseando (não me lembro literalmente do trecho) Caetano Veloso: Cada ser humano sabe a dor e a delícia de ser exatamente o que é!

    Grande abraço;
    Leandro.

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  5. é mais ou menos assim:
    "a única verdade é que vivo.
    Sinceramente, eu vivo.
    Quem sou?
    Bem, isso já é demais...."Clarice Lispector (orkut)

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  6. Karol Natasha Castanheira27 de maio de 2009 às 19:01

    Fiquei muito feliz em ler estes comentarios...so peco desculpas pelos erros na postagem deste comentario, mas e que o teclado em casa esta desconfigurado.
    E importante que as pessoas tenham conhecimento que sao formadoras de opiniao, nao e preciso ser jornalista para dibulga-las, so e necessario ter consciencia de como e onde fazer isso.
    E aqui e um canal aberto muito bom para isso. Todos que dedicam parte de seu tempo para sair do convencional e do cotiano da midia, tambem estao de parabens...

    Um Obrigada ao meu primo e a todos que se dispuseram a ler

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  7. Concordo com vc ..em gênero, número e grau!
    Valeu!
    Continue assim....
    Beto

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( Lourenço, A.)

" A vida não é sonho mas a realidade pode e deve ser doce!"

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